PROJETO DE TRABALHO
TITULO DO PROJETO: QUEM SOU EU?
JUSTIFICATIVA
O Instituto A ensina as crianças e adolescentes a
serem protagonistas de sua própria história. São atendidas neste espaço
famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade social, situação de risco
como o rompimento de vínculo familiar, pobreza, a falta de acesso às políticas
públicas, diferentes tipos de violência, e em situação de rua. As atividades
desenvolvidas abrangem grande parte da região leste de Porto Alegre, mas vou me
deter ao atendimento desenvolvido na sede.
Cada
educador possui um perfil e uma formação específica, encontrei profissionais da
teologia, biologia, educação física, música e pedagogia; essa gama de
experiências compõe o quadro de educadores populares centro, o que se faz entender que estão ali por
acreditar na importância de sua função no ambiente em que atuam, e na sua
contribuição como agente participante do processo e não somente um atuante
racional em meio à diversidade.
De acordo com Alves (1982) no
livro “O educador: Vida e Morte” entre o educador e sua função existe uma
estreita linha limitando-nos ao que fazemos do que realmente somos; o autor
relata que para sociedade capitalista o profissional da educação é visto como
um sujeito controlado que quantifica seus alunos e é aquilo que produz, tanto
que nas avaliações nacionais, promoções, nos concursos públicos o que está inicialmente
em questão são suas experiências intelectuais (cursos, livros, teses, artigos)
contando ponto em sua classificação e não sua prática social. O educador
trabalha com pessoas como ser indiferente perante as situações que media e
presencia? Talvez essa seja uma justificativa plausível para má remuneração
dessa classe profissional em nosso país. Por sermos “máquinas” com o sistema
sempre em falha, considerarmos nossa ferramenta de trabalho, os educandos,
dando vóz a seus sentimentos e emoções acabaram por nos envolver demonstrando
nosso lado justo e humano e não como convém a política do consumo no qual mais
é melhor; para o desenvolvimento econômico é cômodo que tratemos nossos
educandos como números, mas a quantidade não quer dizer qualidade quando se
trata de educação.
Além dos grupos de SCFV (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos), existem parcerias da instituição com empresas particulares
que fornecem verbas para o desenvolvimento das atividades de inserção dos
jovens no mercado de trabalho. Exemplos desses são: coletivo Coca-Cola e o
trabalho educativo; durante as observações pude perceber mediações de conflitos
entre educandos e educadores, a partilha de soluções no grande grupo e a
sintonia do quadro de profissionais; as situações de conflitos desgastantes que
presenciamos em nossas escolas agora estavam presentes neste espaço informal de
educação, e nem poderia ser diferente, presenciei o processo de construção dos
princípios, o envolvimento integral da instituição na busca da igualdade de
direitos, e a promoção de ações educativas como forma de reverter o quadro
inicial que o indivíduo se encontra.
“Lido com gente e não com coisas. E
porque lido com gente, não posso, por mais que, inclusive, me dê prazer
entregar-me à reflexão teórica e crítica em torno da própria prática docente ou
discente, recusar minha atenção dedicada e amorosa a problemática mais pessoal
deste ou daquele aluno ou aluna”. (FREIRE, 1996,p144)
A
Educação Popular brasileira é responsável por formar sujeitos críticos e
conscientes frente os acontecimentos de sua realidade, exemplo disso são os
espaços pedagógicos não escolares que promovem a formação do sujeito partindo
do seu direito de atuar como agente transformador e do reconhecimento de seus
direitos e deveres, respeitando ao próximo perante a sociedade. Este projeto
visa práticas de autoconhecimento e conscientização do papel positivo que
podemos desempenhar nas relações sociais.
É
através do autoconhecimento que realizamos nossas escolhas com mais segurança,
como descrevi anteriormente a instituição oferta possibilidades de inserção
social á comunidade, todavia é preciso realizar estratégias de ação para a
valorização das potencialidades do sujeito e por esse motivo viso contribuir
com a realização do projeto: “Quem Sou Eu”, no grupo I que é composto por
crianças na faixa etária de 6 a 8 anos, que apreciam atividades físicas, são
comunicativas, espontâneas e exercem sua autonomia positivamente aprendendo a
resolver divergências a partir do diálogo. Essa competência permite ao educando
tornar-se um cidadão consciente e com visão critica de mundo.
OBJETIVOS
2.1 GERAL:
·
Valorizar os conhecimentos prévios do sujeito na
construção de sua identidade;
2.2 ESPECÍFICO:
·
Reconhecer o papel do individuo na sociedade
atual;
·
Desenvolver a conscientização de solidariedade;
·
Realizar práticas sociais para o
autoconhecimento;
·
Conhecer seus direitos e deveres;
·
Solucionar conflitos cotidianos a partir do
diálogo;
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
3.1 CONCEITUAIS (aprender a conhecer):
·
Aspectos
do individuo na sociedade atual;
·
Solidariedade;
·
Autoconhecimento;
·
Direitos e Deveres;
·
Conflitos cotidianos;
3.2 PROCEDIMENTAIS (aprender a fazer):
·
Construção do conceito de sujeito;
·
Identificação dos movimentos do corpo;
·
Conscientização dos cuidados físicos e sociais;
3.3 ATITUDINAIS (aprender a ser):
·
Compreensivo perante as ideais do outro;
·
Construtor de combinações para o bom convívio no
grupo e na comunidade;
·
Autônomo
na resolução de situações durante o curso e na vida em sociedade;
METODOLOGIA
4.1 Situações Didáticas
·
Música;
·
Dança;
·
Confecção de materiais;
·
Contação de história;
·
Dramatização;
·
Jogos cooperativos;
·
Expressão Corporal;
AVALIAÇÃO:
Será avaliado o desenvolvimento integral dos educandos, ou
seja, suas habilidades registradas e observadas, pois o aprendizado infantil é
processual e não regrado, também será realizada uma avaliação no final de cada
oficina pra que exponham suas ideias no grande grupo.
REFERÊNCIAS
1 BRANDÃO,
Carlos Rodrigues; O educador: vida e
morte. Rio de Janeiro: Edições Grall, 1982.
2 COSTA,
Beatriz; Para Analisar Uma Prática de Educação Popular/Educação Popular:
Um Depoimento. Rio de Janeiro: Vozes Ltda, 1981.
3 FREIRE,
Paulo; Pedagogia da Autonomia: Saberes
Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.